Solidariedade tratada com agulhas

6 março, 2011 às 7:21 am | Publicado em entrevistas, notícias | 5 Comentários
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Solidariedade tratada com agulhas

Como a tragédia da Região Serrana tem recebido suporte de saúde de um Acupunturista semi-solitário

Arnaldo V. Carvalho para o Sindacta

Seu nome é Daniel Luz. Acupunturista conhecido no Rio de Janeiro, respeitado em todo o país por seus estudos e ensinamentos – Daniel aprende e ensina eternamente  – tanto na teoria como na prática. Diante da tragédia da Região Serrana, não pensou duas vezes, e como poucos partiu com o que sabia para

Padre Thiago, que abriu as portas de sua igreja para os desabrigados e profissionais de saúde voluntários recebe tratamento após noites sem dormir atuando na tragédia.

ajudar. O resultado foi uma experiência riquíssima, onde segundo o próprio ficou demonstrado que “a acupuntura parece ter em situações de emergência um resultado ainda mais impressionante que no cotidiano”. Em seu Blog, onde relata a experiência, há inúmeros exemplos de pessoas atendidas com resultados acima de qualquer expectativa. Daniel não parou em si mesmo: convocou voluntários, buscou parcerias. Um padre lhe abriu a Igreja; profissionais do exterior lhe forneceram milhares de agulhas de acupuntura; Enomoto Jógi, outro acupunturista de renome, veio de São Paulo para ajudar. O esforço foi amplamente divulgado nas comunidades de acupuntura, aplaudido… E apareceram umais umas poucas pessoas. Mesmo ao mais inexperiente, Daniel se prestou a ensinar técnicas próprias para situações como aquelas. O trabalho se multiplicou e vem incentivando outras pessoas a fazerem o mesmo. Hoje a impressão é que o trabalho de um homem só é o de uma equipe inteira. Sua Brigada Serrana de Acupuntura (BSA) vem sendo conhecida pelo Brasil e exterior, e é modelo para que possamos agir de um

modo diferente do convencional. A acupuntura vem para se somar às demais práticas de saúde não só nos consultórios, mas

também em emergência. Daniel Luz, que iluminou a vida de muitos nesses tempos difíceis, falou ao Sindacta.

1. Como a acupuntura pode ser útil em casos como o da Região Serrana?

Em atendimento improvisado na Igreja, médicos, acupunturistas, fisioterapeutas, massoterapeutas e enfermeiras trabalham UNIDOS PELO BEM MAIOR!

DANIEL: A acupuntura não criou uma dissociação entre “fisiológico” e “psicológico”. Por isso, numa situação de traumas múltiplos (afetivos e corporais) é o tratamento ideal, atendendo às várias necessidades do enfermo no mesmo tratamento. Outra característica importante é que a medicina chinesa tira da singularidade do sujeito, com suas forças e fraquezas específicas, a informação crucial para determinar o tratamento. Isso implica no reconhecimento pessoal do paciente e evita a despersonalização do atendimento, queixa frequente de usuários de serviços públicos de saúde.

2. Como surgiu a idéia da Brigada Serrana de Acupuntura?
DANIEL: A  idéia de uma “Brigada Serrana de Acupuntura” (BSA) me veio a partir da experiência pessoal de atendimento entre os dias 20 e 23 de janeiro, em Teresópolis, depois da catástrofe serrana do Rio de Janeiro. Em três locais diferentes, pude cuidar, por meio  da acupuntura e outras modalidades de intervenção em saúde da medicina tradicional chinesa, de desabrigados e voluntários. Constatei duas coisas: primeiro, a fenomenal eficácia dos tratamentos; segundo, a insignificância, dada a dimensão do ocorrido, de uma ação assistencialista isolada.

Ficou claro para mim que seria necessário montar um serviço de atendimento continuado para os envolvidos, pois mesmo os aspectos básicos da vida concreta como moradia, trabalho e inserção numa comunidade não tem perspectiva de se resolver sequer a médio prazo. Que dizer, então, do dano à saúde causado pelos traumas que as enchentes provocaram?

3. Como é o trabalho que a Brigada realiza?

Daniel: O trabalho terapêutico consiste na aplicação de atendimentos que combinam massagem, waiqi liaofa, acupuntura japonesa das escolas de Nagano, Manaka, Denmei e outros, bem como acupuntura do yijing de Chen Chao e acupuntura da escola da família Tong. O resultado visado e condição para dar a consulta por encerrada é obter um mínimo de 60% de melhora, como recomendado por Kiiko Matsumoto. Sendo impossível a melhora imediata (por exemplo: lesões na pele), esta é avaliada pela redução da dor em pontos associados no abdome ou outros pontos, específicos para caso.

Tais atendimentos obedecem a um esquema simples de estratégia terapêutica. Se esse esquema não der o resultado esperado, o terapeuta lança mão dos procedimentos que habitualmente segue em sua prática clínica pessoal, anotando as medidas adotadas e seus efeitos.

4. Por quanto tempo o projeto deverá estar em ação? Há planos de continuidade ou expansão?

Daniel: Bom, o projeto deveria ficar em ação por pelo menos 6 meses, idealmente um ano. A idéia é reunir voluntários e formar núcleos que dominem um repertório de estratégias terapêuticas simples porém eficazes e espalhá-los pelas comunidades afetadas, com autonomia para estabelecerem parcerias locais para abrigar a iniciativa (igrejas, colégios, associações, ONGs locais, prefeituras…). Esses núcleos teriam apoio em reuniões no Rio ou em Teresópolis, nos finais de semana. Esse apoio seria no sentido da supervisão, discussão de casos, revisão de protocolos e correção das técnicas. O apoio também seria prestado através da internet, claro.

Minha questão é atrair os voluntários, coisa que não está nada fácil. Vou trabalhar bastante o tema “capacitação e trabalho de campo” em nosso blog para ver se consigo captar mais pessoas. Estou confiante que a sua matéria vai ajudar e trazer mais algumas pessoas para se agregarem a esse trabalho tão necessário e tão eficaz. Esta semana tive pouco tempo para pôr as atualizações, mas n ofinal de semana devo subir uns vídeos realmente fortes, além do álbum de fotos etc.

É pena a ANVISA me impedir de receber doações; um pacote vindo dos EUA foi devolvido ao remetente, sem mais explicações. Suponho que fossem agulhas de acupuntura.


5. Como ser voluntário e que retornos o acupunturista deve esperar ao participar de um projeto como esse?

Enomoto Jógi: Primeiro voluntário é de São Paulo

Daniel: Para ingressar na Brigada, os voluntários (estudantes de acupuntura, fitoterapia, moxabustão, auriculoterapia, massoterapia, shiatsu, tui na, professores de t’ai  chi ch’uan ou de outras formas de exercícios chineses) devem passar por dois encontros para tomarem ciência do trabalho, seu significado e implicações e se familiarizarem com os protocolos de atendimento. Nesses dois encontros os voluntários são avaliados em função da contribuição que podem trazer e, a partir daí, inseridos no ambulatório.

Trata-se de um trabalho interessante para aqueles da área da medicina chinesa que tenham vocação solidária e para quem não se satisfaz em meramente amaldiçoar certos políticos, ou culpar “o Homem” pela deterioração do meio-ambiente. A BSA oferece a oportunidade de somar esforços e fazer a diferença na vida de centenas de pessoas. Além disso, o trabalho na BSA também representa uma oportunidade única de aperfeiçoamento profissional, através do treinamento e da prática ambulatorial supervisionada por profissionais experientes.

6. Que apoios vocês recebem para executar o projeto?

Daniel: Recebemos muito pouco apoio até agora; tenho divulgado o trabalho como posso, inclusive fazendo uma página em inglês do blog (www.riosacubrigade.wordpress.com), que tenho dado a conhecer em fóruns de acupuntura, inclusive o do Acupuncturists Without Borders. Agradecimentos vão para acupunturista Karin Tetlow, da Philadelphia, que nos mandou uma caixa de agulhas; a EBRAMEC, escola paulista, que nos enviou 1.000 agulhas e o Felipe Alves, que nos doou 3.000. Dada a ação da ANVISA, de confisco autoritário de um material que tem registro no órgão e venda liberada em todo território nacional, estou pedindo às pessoas que não doem mais agulhas.

Em Teresópolis, contei desde o início com o apoio da igreja católica, especialmente dos padres Thiago, da igreja de São Cristóvão, em Fonte Santa, e Jorge, da igreja de Sto. Antônio, no Alto, agora temos um ambulatório permanente. Um acupunturista de SP, Enomoto Jóji, esteve conosco na manhã de domingo dia 13/02 para ajudar nos atendimentos; Cátia Raposo, uma acupunturista experiente do Rio de Janeiro, esteve conosco no sábado dia 11 no abrigo Recomeçar, atendendo e acompanhando o trabalho.

7. Você considera o engajamento social como ato inerente à filosofia que influencia a acupuntura? Fale-nos um pouco sobre isso.

Daniel: Várias correntes de pensamento influenciam a acupuntura. Não saberia citar uma fonte ou uma passagem de um clássico que dissesse que o exercício ético da medicina se dá no engajamento social, embora esta seja minha crença pessoal e minha ação. O fato é que, na escrita logográfica chinesa, tanto a noção de virtude “de”, mais associada ao taoísmo, quanto a noção de  benevolência “ren”, mais ligada ao confucionismo, têm elementos que indicam “outro”, “dois” ou “dirigir-se ao outro”.

8. Como a sociedade tem recebido o projeto?

Daniel: O projeto ainda está começando; a tragédia ainda não fez dois meses e, infelizmente, ainda são poucos os que ouviram falar da nossa iniciativa. Para muitos pacientes é o primeiro contato com uma medicina que é eficaz sem usar remédio e eles estão muito entusiasmados.

9. Como os acupunturistas vêm recebendo o projeto?

Daniel: Graças ao apoio da Roberta Blanco, anteriormente presidente do SINDACTA,  e do Dennis Linhares, da diretoria do CRAERJ, os associados dessas instituições foram informados da nossa existência por e-mail e pelos respectivos sites. Várias pessoas entraram em contato comigo e talvez se agreguem ao grupo. Aqui, novamente, enfrentamos o problema da divulgação da iniciativa: pouca gente sabe do trabalho, inclusive entre os colegas de classe.

10. Mande uma mensagem para quem te lê e tem interesse em ajudar, seja com a acupuntura, seja do modo que puder, à Brigada e em casos como esse.

Daniel: Numa situação como essa toda ajuda é bem-vinda: doações são necessárias, mas depois de algum tempo tendem a rarear:  é importante não deixar a bola cair, pois já começam a faltar produtos de limpeza e higiene pessoal. Quem pode estar presente nos locais afetados logo encontra trabalho para fazer, especialmente quem tem carro – sempre se está precisando de um para levar um doente ao hospital, levar donativos para localidades distantes etc.

Quanto à Brigada Serrana de Acupuntura, convido a todos os interessados em conhecer e acompanhar o trabalho a visitar o blog www.acupunturanaserra.wordpress.com, onde há uma descrição detalhada do nosso dia-a-dia e das origens da idéia. Acrescentei, também, descrições dos tratamentos que foram feitos e seus resultados, tudo isso com fotos e vídeos ilustrativos. Quem tem blogs pode nos dar uma ajuda importante fazendo o link para nossa página, para melhorar nossa posição nos motores de busca; todos os posts tem um botão “curtir” do facebook, o que também agrega valor. Fortalecer essa página nos ajuda, inclusive, a buscar apoios para que a iniciativa não desapareça e possa mesmo se expandir para as outras áreas afetadas.

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Cópia da entrevista autorizada desde que citada a fonte (agradecemos por links). Imagens originais do Blog da Brigada Serrana de Acupuntura, republicados aqui sob autorização de Daniel Luz.
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SINDACTA anuncia nova diretoria e inicia o ano com sede nova e muitas outras novidades

3 março, 2011 às 8:57 am | Publicado em atividades, notícias | Deixe um comentário
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O  SINDACTA – Sindicato de Acupuntura e Terapias Afins do Estado do Rio de Janeiro, realizou em fevereiro sua Assembléia Ordinária, e entre outros assuntos elegeu sua nova diretoria:

Fernando Lyra Reis é o novo presidente do Sindacta, tendo Walter Galvão como seu Vice-Presidente. César Galvão agora acumula as funções de tesoureiro e secretário. Roberta Blanco agora compõe o Conselho Fiscal, ao lado de Arnaldo V. Carvalho e de Maria Cristina Hentzy Soares.

Animado, o grupo que participou da Assembléia foi surpreendido pelo anúncio da nova sede, que agora passa para a Tijuca, em local privilegiado, contando ainda com sala de aula, estrutura de recepção, etc. Um ambiente privilegiado, graciosamente compartilhado pelo companheiro César Galvão.

Entre outras notícias, o anúncio de um novo site e blog iniciando já em março, com a infra-estrutura, modernidade e sobriedade que o SINDACTA merece.

O Sindicato, que vem trabalhando arduamente pela regulamentação da acupuntura, para esse ano pretende expandir suas ações, incentivando a união entre acupunturistas, organizando eventos para profissionais da área e das demais profissões representadas. Ano passado o Sindacta teve papel decisivo nos Enapeas, encontros de profissionais e estudantes de acupuntura ocorridos em diversos estados e que discutiram os rumos da profissão no Brasil. Para este ano, os Enapeas certamente tomarão maior vulto, mas não só. Através de acordos e parcerias já em trâmite, o Sindacta ampliará os benefícios a seus membros.

Assine o Blog do SINDACTA e fique pro dentro de tudo o que acontece no Sindicato Oficial dos Acupunturistas, Shiatsuterapeutas e Afins!

 

*  *  *

O SINDACTA representa legalmente: a Acupuntura, o Shiatsu, Tui Na, Anma, Moxabustão, Craniopuntura, Qi Gong, Auriculoterapia, Quiroacupuntura, Koryo Sooji Chim, Fitoterapia Chinesa, Cromopuntura, Eletroacupuntura, Ryodoraku, Manaka, Akabane, Laserpuntura.

Atenção! Não existe outra entidade constituída junto ao Ministério do Trabalho, que possa legalmente defender estas categorias dentro do nosso Estado.

Seja um defensor ativo e participativo da sua profissão: a de ACUPUNTURISTA ! Saiba como

Ministro do Trabalho manifesta apoio em relação aos projetos de regulamentação da Acupuntura

7 abril, 2008 às 7:42 am | Publicado em atividades, notícias | Deixe um comentário
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V. Ex.ª Ministro do Trabalho, Carlos Lupi manifesta apoio aos projetos de Regulamentação da Acupuntura  no Brasil

 

apoio à acupunturaNo dia 16 de Abril de 2008, o SINDACTA (RJ), representado pela presidente Roberta Blanco e pelo vice-presidente Walter Galvão e o professor Carlo Simi se reuniram com o Mi…nistro do Trabalho Carlos Lupi para buscar apoio aos projetos de lei que regulamentam a acupuntura no Brasil.

O Ministro Carlos Lupi, ato contínuo, telefonou ao relator do PLS 480/03, Senado Flavio Arns, e manifestou seu total apoio ao projeto, dizendo que a sociedade deve se adaptar a essas “novas” práticas que já estão inseridas nos usos e costumes, e que devem se transformar em lei, como profissão regulamentada.

 

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